domingo, 23 de novembro de 2014

Quem é ele? Lá vem ele!


Oxente! E foi?!

Sugestão de Waldemar Matias Rolim

Quando começa a delação premiada, não tem como parar. Cada um cuida do seu próprio destino. Cadeia muita dá um medo danado!


Imprensa boa é imprensa a favor, né não?

J.R. GUZZO
Publicado na edição impressa de VEJA

Os leitores de VEJA têm o direito de perguntar a si mesmos o que, afinal de contas, estão fazendo de tão errado assim. Ouvem dizer o tempo todo, do governo e do seu sistema de suporte, as coisas mais horríveis a respeito da revista que gostam de ler ─ tanto gostam que continuam a lê-la, semana após semana, sem a menor obrigação de fazer isso. Haveria aí alguma tara secreta, ou outro tipo qualquer de desvio de conduta? A pregação espalhada diariamente pelos mecanismos de propaganda a serviço do governo parece sugerir que existe, sim, uma doença muito séria com esses cidadãos: como poderiam, caso fossem pessoas sadias, buscar informação e outros itens de interesse num veículo que faz parte das leituras proibidas pelo Santo Ofício do PT?

Ainda na véspera da última eleição, a presidente da República, em pessoa, prometeu que iria processar a revista “na Justiça”, aparentemente com uma ação penal, por crimes não especificados e, segundo ela, gravíssimos. Até agora não entrou com ação nenhuma, é verdade, mas e daí? O que importa é afirmar que o leitor está sendo cúmplice de uma publicação “criminosa” ─ e como tal, segundo a filosofia do ex-presidente Lula, torna-se nazista, inimigo do Menino Jesus e participante de um golpe de Estado para derrubar Dilma Rousseff e o governo popular do PT.

Uma página de revista, como pode atestar alguém que já passou um certo tempo nesta vida, não é mais que isso ─ uma página de revista, apenas, obra que reflete os limites de quem a escreve e que não está programada para funcionar como uma distribuidora automática de verdades. Mas, no caso, esta coluna pode garantir, com margem de erro de 0%, que não existe rigorosamente nada de errado com os leitores, nem com sua decisão de escolher a leitura que bem entendem. O erro está do lado de quem os acusa, pelo mero fato de lerem VEJA, de serem nazistas, fascistas, caluniadores, mentirosos, golpistas, homófobos, racistas, antinordestinos, defensores do trabalho escravo, inimigos dos pobres e autores de sabe-se lá quantos crimes ainda. Cada uma dessas acusações, obviamente, é demência pura ─ mas, se VEJA é tudo isso aí acima, como o governo e sua tropa não param de dizer, seus leitores também o seriam, não é mesmo? Como todos eles sabem perfeitamente bem que não o são, o melhor que têm a fazer é ignorar a gritaria e tocar a vida para a frente. Para que se estressar com pecados que não cometemos?

Na verdade, os leitores têm um excelente motivo para se sentir satisfeitos: são eles, e ninguém mais, que mantêm viva esta revista. Eis aí a chave de tudo. Enquanto acharem que VEJA tem méritos suficientes para continuar a ser lida, os leitores formam uma linha de defesa que governo nenhum consegue derrubar – e estarão ganhando o confronto com as forças que querem decidir o que eles podem e o que não podem ler. Ao contrário do que gostaria a máquina de propaganda oficial, diretamente ou por meio da vasta e caríssima rede de auxiliares que montou na internet para agredir a imprensa livre, VEJA e os jornalistas que aqui trabalham não precisam do governo, seus 39 ministérios, suas verbas de publicidade, seus empregos, seus contratos de “prestação de serviços” e por aí afora. Precisam, isso sim, do público ─ e aí as coisas se complicam para quem está mandando no Brasil, pois simplesmente não há discurso de autoridade, ameaça de processo, “rede social” nem nenhuma outra invenção capaz de fazer com que os leitores da revista sumam no espaço. É a grande frustração do mundo petista. O que não se perdoa a VEJA, mais que qualquer coisa, é o sucesso ─ pela última medição dos auditores do IVC, em julho de 2014, sua tiragem semanal está em 1 100 000 exemplares. Há doze anos o governo e seus estrategistas de “mídia” tentam resolver esse problema. Continuam no mesmo lugar.

Os governos do PT conseguiram, com muitos milhões, montar durante esse tempo uma vasta rede de “imprensa a favor”. Mas é justamente aí que mora o problema: imprensa a favor não vale nada. Quem a respeita? Balzac dizia que era mais fácil escrever um romance do que arrumar o dinheiro para pagar o papel e a impressão. No caso, poderia dizer que é mais fácil escrever publicações inteiras de louvação ao governo do que encontrar leitores que as levem a sério. O que interessa para quem manda, na verdade, não é publicar aquilo que quer; é impedir que seja publicado aquilo que não quer. Isso não se resolve fazendo insultos a VEJA em notas oficiais, blogs ou comícios. Só se resolve com o silêncio do “controle social”.

Na capa d'O Globo: os Fundos de Pensão vão entrar na roda dos malfeitos.


Uma bem ilustrada capa do jornal Zero Hora


Na capa do Jogo/Extra: Vascão faz a festa


Os destaques do jornal Folha de São Paulo


A capa de hoje do Jornal da Paraíba


As manchetes de jornais brasileiros neste domingo

Folha: Rombo de R$ 100 bilhões desafiará novos ministros

Globo: Fundos de pensão também têm clube para negócios suspeitos

Extra: Dilma teria sido alertada sobre parecer do TCU

- ValorEconômicoGoverno reduz meta de superávit primário a menos de 10% do prometido

Estadão: Líder do PT no Senado recebeu R$ 1 milhão, acusa ex-diretor da Petrobrás

ZeroHora: A sangria da corrupção

Estado de Minas[Escândalos em série] Petrobrás vira problema para pequeno investidor

CorreioBraziliense:[Corrupção] Petrobrás pode tirar até 0,5% do PIB

CorreiodaBahiaÀ beira da queda

OPovo: Golpe do casamento

JornaldoCommercio: Humberto Costa é citado na Lava Jato

JornaldaParaíba: Gasto com pessoal leva até 88% do duodécimo

sábado, 22 de novembro de 2014

Depois que as delações começam, fica difícil parar o fluxo da prova.

A marcha da insensatez 
ELIO GASPARI
Folha de São Paulo

Empreiteiras defendem-se desprezando o 'Efeito Papuda', uma tática vencida, desafiadora e talvez suicida

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, também conhecido como "Kakay", é uma espécie de Sobral Pinto do andar de cima. "Doutor Sobral" era um homem frugal, sempre vestido de preto, defendendo causas de presos ferrados pelo poder dos governos. O espetaculoso "Kakay" é amigo dos reis e vive na Pasárgada de Brasília. Defendendo empreiteiras apanhadas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, disse o seguinte: "Dentro da normalidade, você teria de declarar (as empresas) inidôneas. Se isso acontecer, para o país".

Ele não foi o primeiro a mencionar esse apocalipse, no qual está embutida uma suave ameaça: se a faxina não for contida, o Brasil acaba, pois com essa gente não se deve mexer. O presidente do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, propôs uma "repactuação" dos contratos que essas companhias têm com a Viúva: "Parece que as empresas estão demonstrando boa vontade, todas elas ajudando, estão se dispondo a devolver recursos, portanto há uma boa vontade". Mais: "Poderíamos repactuar, eles perderiam o que está acima do preço. Como consequência, faríamos economia para o erário". O vice-presidente Michel Temer foi na mesma linha, propondo a "repactuação de eventuais exageros". Falta saber o que Nardes entende por "acima do preço" e o que Temer define como "exageros".

Como até hoje nenhuma empreiteira, salvo a Setal, reconheceu ter delinquido, parece até que a delinquência é da Polícia Federal, do Ministério Púbico e do Judiciário. A "repactuação" só pode começar pactuando-se a verdade. Se de fato houve uma "denúncia vazia de um criminoso confesso", como disse Marcelo Odebrecht, referindo-se ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, então sua empresa nada tem a ver com a história, merece os devidos pedidos de desculpas e "Paulinho" deve voltar para a carceragem. Se a Camargo Corrêa, a Mendes Júnior e a OAS nunca praticaram atos ilícitos, dá-se o mesmo e nada há a repactuar.

Grandes empresas metidas nas petrorroubalheiras adotaram uma atitude desafiadora, talvez suicida. Tentaram tirar o processo das mãos do juiz Sérgio Moro. Em seguida, fizeram uma discreta oferta de confissão coletiva, rebarbada pelo procurador-geral da República com três palavras: "Cartel da leniência". "Repactuação" pode ser seu novo nome.

As grandes empreiteiras oscilam entre o silêncio e a negativa da autoria. Deu certo até que surgiu o "Efeito Papuda". Não só José Dirceu, o "capitão do time" de Lula, foi para a penitenciária, como as maiores penas foram para uma banqueira (Kátia Rabelo) e um operador de palácios (Marcos Valério). Ocorrido esse desfecho inédito, seguiu-se a descoberta da conveniência de se colaborar com a Viúva em troca da sua boa vontade. Já há dez doutores debaixo desse guarda-chuva e tudo indica que outros virão. As empreiteiras estão rodando um programa vencido.

Quem olha para o trabalho do juiz Moro e do Ministério Público pode ter um receio. Abrindo demais o leque, ele se arrisca a comprometer a essência da investigação. Como ele tem conseguido preservar sigilos, pode-se ter a esperança de que o principal objetivo da operação é ir de galho em galho, para chegar ao topo da árvore.

Antigamente, os sindicatos já estariam tocando fogo em alguém...

CláudioHumberto

Trabalhadores que usaram o dinheiro do FGTS para comprar ações da Petrobras em 2000 injetaram R$ 1,61 bilhão na estatal, mas o que deveria ser grande investimento gerou perdas de 62,4% ao trabalhador. Ações que chegaram a valer R$ 103 em 2008 sucumbiram à avareza dos envolvidos no esquema do Petrolão e perderam 88,5% do valor, e chegaram a ser negociadas no pregão desta quinta a míseros R$ 12. 


Mais de 312 mil pessoas investiram até 50% do FGTS em ações da Petrobras. Tudo foi corroído e ainda saíram devendo: 144,3%. 


Como nada é tão ruim que não possa piorar, as ações da Petrobras caíram 13,2% uma semana depois da prisão dos empreiteiros.

Jacob Cabral, o filho do nosso inesquecível Seu Saóra (do 'pão de arroba') analisa recente medida do Ministro Barroso (no STF) que tornou sem efeito decisão de Joaquim Barbosa sobre bens de mensaleiros.

Qual será a real motivação do Ministro Barroso ao revogar decisão do Ministro Joaquim Barbosa ?

Por Jacob Feitoza Cabral

A covardia é surda e só ouve o que convém.
(Erasmo e Roberto Carlos)

A decisão do ministro Barroso que revogou a decisão do ministro Barbosa é contrária à lei, pois fere o art.133 do Código Processo Penal, além de ser um disparate hermenêutico.

Vejamos:

Como se sabe, transitada em julgado a sentença penal condenatória, sem ter sido a medida de seqüestro sobre os bens levantada, isto é, perdida a sua validade, o juiz que determinou a medida será o competente para ordenar a avaliação dos bens e a venda destes em leilão público. O dinheiro obtido servirá para indenizar à vítima, o terceiro de boa-fé, por ventura lesado, e para pagar as despesas existentes no processo; o restante, se existir, será recolhido ao tesouro nacional. Inexistindo licitante, o bem será adjudicado à vítima, no caso, o Estado.

Nesse sentido, o art.133 do CPP: (Código de Processo Penal):

Art. 133 - Transitada em julgado a sentença condenatória, o juiz, de ofício ou a requerimento do interessado, determinará a avaliação e a venda dos bens em leilão público.

Parágrafo único - Do dinheiro apurado, será recolhido ao Tesouro Nacional o que não couber ao lesado ou a terceiro de boa-fé.

Este juiz é o juiz criminal, sentenciante, e não o juiz da Vara das Execuções Penais (VEP).

De outra quadra, a Lei de execução penal (Lei 7210/1984) não prevê que seja atribuição do juiz da execução o realizar o leilão dos bens, senão vejamos:

Art. 66 - Compete ao juiz da execução:

I - aplicar aos casos julgados lei posterior que de qualquer modo favorecer o condenado;
II - declarar extinta a punibilidade;
III - decidir sobre:

a) soma ou unificação de penas;
b) progressão ou regressão nos regimes;
c) detração e remição da pena;
d) suspensão condicional da pena;
e) livramento condicional;
f) incidentes da execução;

IV - autorizar saídas temporárias;
V - determinar:

a) a forma de cumprimento da pena restritiva de direitos e fiscalizar sua execução;
b) a conversão da pena restritiva de direitos e de multa em privativa de liberdade;
c) a conversão da pena privativa de liberdade em restritiva de direitos;
d) a aplicação da medida de segurança, bem como a substituição da pena por medida de segurança;
e) a revogação da medida de segurança;
f) a desinternação e o restabelecimento da situação anterior;
g) o cumprimento de pena ou medida de segurança em outra Comarca;
h) a remoção do condenado na hipótese prevista no § 1º do art. 86 desta lei;
i) (VETADO); (Redação da LEI Nº 12.258/15.06.2010);

VI - zelar pelo correto cumprimento da pena e da medida de segurança;
VII - inspecionar, mensalmente, os estabelecimentos penais, tomando providências para o adequado funcionamento e promovendo, quando for o caso, a apuração de responsabilidade;
VIII - interditar, no todo ou em parte, estabelecimento penal que estiver funcionando em condições inadequadas ou com infringência aos dispositivos desta lei;
XI - compor e instalar o Conselho da Comunidade.
X – emitir anualmente atestado de pena a cumprir." (NR) - (Redação da Lei n° 10.713/13.08.2003) – Vigência em 12.11.2003

Assim, sem maiores delongas, percebe-se que a decisão do “novato” Barroso:

"“As providências relativas aos bens objeto de constrição inserem-se no âmbito da execução do acórdão proferido pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento da AP 470”", escreveu Barroso, delegando a tarefa à VEP de Minas Gerais, onde estão presos os condenados do chamado núcleo publicitário do processo.

Visa apenas revogar o art.133 do CPP e desqualificar, sem fundamento legal, a decisão do Ministro Joaquim Barbosa, sendo certo que os incidentes da execução que venham desconstituir a sentença penal transitada em julgado, perdas dos bens, é questão de mérito, devendo ser julgado pelo juízo criminal e não na VEP.


Da mesma forma, seguindo o entendimento do Min. Barroso, o pedido para cumprimento da pena em domicílio, formulado por José Dirceu e os outros réus do mensalão, seria do juízo da VEP do DF e não dele, Barroso, pois trata-se de nítido incidente da execução.

Pelo menos o Vascão vai subir...E o Botafogo? Lascado! Não posso nem falar de time nenhum...

Sugestão de Eugênio Nóbrega

A CAPA DE VEJA – E-mail de 2009 de Paulo Roberto Costa à então ministra Dilma defende uma “solução política” para manter fluxo de dinheiro para a quadrilha que operava na Petrobras. E a “solução” saiu da caneta de Lula

Por Reinaldo Azevedo
É, meus caros… As coisas podem se complicar bastante. Reportagem de capa da VEJA, que começa a chegar às bancas, traz um fato intrigante, com potencial de uma  bomba. Para chegar ao centro da questão, é preciso proceder a alguma memória.
As circunstâncias
Paulo Roberto Costa, como ele mesmo deixa claro em seus depoimentos, foi posto na direção de Abastecimento da Petrobras em 2003 para delinquir — ainda que lhe sobrasse um tempinho ou outro para funções regulares. Sua tarefa era mexer os pauzinhos para garantir sobrepreço em contratos, que depois seria convertido pelas empreiteiras em dinheiro e distribuído a uma quadrilha.
Costa, como também confessou, era o homem do PP no esquema — embora a maior parte da propina que passava por sua diretoria, assegurou, fosse mesmo enviada ao PT. Notem: ele nunca disse de si mesmo que era um só um sujeito honesto que foi corrompido pelo sistema. Ele confessou que tinha uma tarefa. Segundo seu depoimento e o do doleiro Alberto Youssef, o petista Renato Duque cumpria a mesma função na Diretoria de Serviços, operando para o PT, e Nestor Cerveró seria o homem do PMDB na diretoria da área Internacional.
O e-mail
Note-se: Costa começou a operar na Petrobras em 2003. E eis que chegamos, então, ao Ano da Graça de 2009. Não é que o diretor de Abastecimento da Petrobras resolve cometer uma ousadia? Atropelando a hierarquia da empresa, decidiu mandar um e-mail à então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, também presidente do Conselho da Petrobras. Transcrevo trecho de reportagem da VEJA. Prestem atenção!
“Paulo Roberto Costa tomou a liberdade de passar por cima de toda a hierarquia da Petrobras para alertar o Palácio do Planalto que, por ter encontrado irregularidades pelo terceiro ano consecutivo, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia recomendado ao Congresso a imediata paralisação de três grandes obras da estatal — a construção das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e do terminal do porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. Assim como quem não quer nada, mas querendo, Paulo Roberto Costa, na mensagem à senhora ministra Dilma Vana Rousseff, lembra que nos anos de 2008 e 2007 houve ‘solução política’ para contornar as decisões do TCU e da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.”
Por que diabos o diretor de Abastecimento da estatal enviaria uma mensagem à ministra sugerindo formas de ignorar as irregularidades nas obras apontadas pelo TCU? E, como fica claro, o tribunal já havia identificado problemas em 2007 e em 2008.
A síntese
Então façamos uma síntese deste notável momento em quatro passos, como está na reportagem:
1 - Um corrupto foi colocado na Petrobras para montar esquema de desvio de dinheiro para partidos aliados do governo Lula.
2 - Corrupto se mostra muito empenhado em seu ofício, o que lhe permite conseguir propinas para os políticos e, ao mesmo tempo, enriquecer.
3 - Corrupto se preocupa com a decisão do TCU e do Congresso de mandarem cortar os repasses de recursos para as obras das quais ele, o corrupto, tirava o dinheiro para manter de pé o esquema.
4 - Corrupto acha melhor alertar as altas autoridades do Palácio do Planalto sobre a iminência da interrupção do dinheiro público que alimentava o propinoduto sob sua responsabilidade direta na Petrobras.
VEJA encaminhou a questão ao Palácio do Planalto e, como resposta, recebeu a informação de que a Casa Civil, de que Dilma era titular, enviou à Corregedoria Geral da União todas as suspeitas de irregularidades. Certo! O Palácio, no entanto, preferiu não se manifestar sobre o e-mail enviado pelo agora delator premiado à então ministra.
Essa mensagem foi apreendida pela Polícia Federal nos computadores do Palácio do Planalto em operação de busca e apreensão relacionada à investigação sobre Erenice Guerra. Dilma não pode se calar sobre a mensagem em que um dos operadores do maior esquema de corrupção jamais descoberto no país sugere ao governo uma “solução política” que garantisse o funcionamento do propinoduto.
E o que aconteceu?
Eis o busílis. O então presidente Lula usou o seu poder de veto, passou por cima do TCU e do Congresso e mandou que o fluxo de dinheiro para as obras suspeitas fosse mantido. Era, como evidencia o e-mail de Paulo Roberto a Dilma, tudo o que queria o corrupto.
Leiam mais um parágrafo da reportagem:
“Durante oito meses, a equipe do ministro Aroldo Cedraz, que assume a presidência da corte [TCU] em dezembro, se debruçou sobre os custos de Abreu e Lima. A construção da refinaria estava ainda na fase de terraplenagem, mas os indícios de superfaturamento já ultrapassavam os 100 milhões de reais. A Petrobras, porém, se recusava a esclarecer as dúvidas.  O ministro chegou a convocar o então presidente da companhia, Sérgio Gabrielli, para explicar o motivo do boicote.  Depois de lembrado que poderia sofrer sanções se continuasse a se recusar a prestar esclarecimentos, Gabrielli entregou 10.000 folhas de planilhas ao tribunal. Para a surpresa dos técnicos, as informações não passavam de dados sem qualquer relevância.”
Se Dilma e Lula não sabiam, como dizem, da quadrilha que operava na Petrobras, quem, então, sabia? Como é que um diretor de Obras de uma estatal ousa sugerir saídas “políticas” a uma ministra para tornar sem efeito as apurações de um órgão de Estado?
A mensagem de Paulo Roberto a Dilma deixa claro, quando menos, que ela e Lula ignoraram os sinais de que uma máquina corrupta operava na maior empresa do país — uma estatal. Máquina corrupta que servia a três partidos da base: PT, PMDB e PP.
Yousseff disse em seu depoimento que Lula e Dilma sabiam de tudo. Isso, claro!, requer provas. Se provado, a presidente cairá. O e-mail de Paulo Roberto demonstra que, quando menos, a então ministra foi enganada. Mas enganada por quem? Então um diretorzinho da Petrobras propõe que o governo adote uma “solução política” para tornar sem efeito uma decisão do TCU e do Congresso, e a ministra achou isso tudo normal?
Pior: a “solução política” foi adotada, e Lula vetou a suspensão de repasse às obras com evidências de corrupção — o que está agora comprovado. Era o que Paulo Roberto queria: o fluxo normal de dinheiro para o propinoduto. Afinal, ele foi feito diretor em 2003 para isso.
Aguarda-se que Dilma diga o que fez com o e-mail que lhe foi enviado pelo agora corrupto confesso. 
E-mails provam que Lula e Dilma poderiam ter interrompido o propinoduto

O doleiro Alberto Youssef disse à Justiça que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras. Agora, mensagens encontradas pela PF em computadores do Planalto mostram que eles poderiam ter interrompido o propinoduto, mas, por ação ou omissão, impediram a investigação sobre os desvios

Robson Bonin e Hugo Marques
Veja.com


Antes de se revelar o pivô do petrolão, o maior escândalo de corrupção da história contemporânea brasileira, o engenheiro Paulo Roberto Costa era conhecido por uma característica marcante. Ele era controlador e centralizador compulsivo. À frente da diretoria de Abastecimento e Refino da Petrobras, nenhum negócio prosperava sem seu aval e supervisão direta. Como diz o ditado popular, ele parecia ser o dono dos bois, tamanha a dedicação. De certa forma, era o dono — ou, mais exatamente, um dos donos —, pois já se comprometeu a devolver aos cofres públicos 23 milhões de dólares dos não se sabe quantos milhões que enfiou no próprio bolso como o operador da rede de crimes que está sendo desvendada pela Operação Lava-Jato

Foi com a atenção aguçada de quem cuida dos próprios interesses e dos seus sócios que, em 29 de setembro de 2009, Paulo Roberto Costa decidiu agir para impedir que secassem as principais fontes de dinheiro do esquema que ele comandava na Petrobras. Costa sentou-se diante de seu computador no 19º andar da sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, abriu o programa de e-mail e pôs-se a compor uma mensagem que começava assim:

“Senhora ministra Dilma Vana Rousseff...”.

O que se segue não teria nenhum significado mais profundo caso fosse rotina um diretor da Petrobras se reportar à ministra-chefe da Casa Civil sobre assuntos da empresa. Não é rotina. Foi uma atitude inusitada. Uma ousadia. Paulo Roberto Costa tomou a liberdade de passar por cima de toda a hierarquia da Petrobras para advertir o Palácio do Planalto que, por ter encontrado irregularidades pelo terceiro ano consecutivo, o Tribunal de Contas da União (TCU) havia recomendado ao Congresso a imediata paralisação de três grandes obras da estatal — a construção e a modernização das refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Getúlio Vargas, no Paraná, e do terminal do Porto de Barra do Riacho, no Espírito Santo. Assim, como quem não quer nada, mas querendo, Paulo Roberto Costa, na mensagem à senhora ministra Dilma Vana Rousseff, lembra que no ano de 2007 houve solução política para contornar as decisões do TCU e da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.

Também não haveria por que levantar suspeitas se o ousado diretor da Petrobras que mandou mensagem para a então ministra Dilma Rousseff fosse um daqueles barnabés convictos, um “caxias”, como se dizia antes nas escolas e no Exército de alguém disposto a arriscar a própria pele em benefício da pátria. Em absoluto, não foi o caso. Paulo Roberto Costa, conforme ele mesmo confessou à Justiça, foi colocado na Petrobras em 2004, portanto cinco anos antes de mandar a mensagem para Dilma, com o objetivo de montar um esquema de desvio de dinheiro para políticos dos partidos de sustentação do governo do PT. Ele estava ansioso e preo­cupado com a possibilidade de o dinheiro sujo parar de jorrar. É crível imaginar que em 29 de setembro de 2009 Paulo Roberto Costa, em uma transformação kafkiana às avessas, acordou um servidor impecável disposto a impedir a paralisação de obras cruciais para o progresso da nação brasileira? É verdade que às vezes a vida imita a arte, mas também não estamos diante de um caso de conversão de um corrupto em um homem honesto da noite para o dia.

E mais um dos heróis do espírito popular se vai ao encontro do Pai.

Morre poeta e personagem cearense Seu Lunga

O sucateiro tinha 87 anos e estava internado no Hospital São Vicente de Paulo, em Barbalha, onde se tratava de um câncer de esôfago
IANA SOARES
OPovo Online

Aos 87, poeta tratava câncer no esôfago

Joaquim dos Santos Rodrigues, conhecido como "Seu Lunga", morreu às 9h30 da manhã deste sábado, 22, na cidade de Barbalha, no Interior do Ceará. Seu Lunga foi internado na última quarta-feira, 19, por complicações no sistema digestivo. O quadro piorou na sexta-feira, levando ao falecimento do poeta.

Seu Lunga tinha 87 anos e estava internado no Hospital São Vicente de Paulo, em Barbalha, onde tratava de um câncer de esôfago.

De acordo com Demontier Tenório, primo em segundo grau do sucateiro, há cerca de seis meses ele foi submetido a uma cirurgia no esôfago, mas se recuperava bem.

A previsão é que o corpo seja velado na Capela de São Vicente, em Juazeiro no Norte, próximo à sua residência. O sepultamento deve ocorrer no Cemitério do Socorro. Os horários ainda não estão definidos.

Seu Lunga era um poeta, vendedor de sucata e repentista do Juazeiro do Norte, que ganhou notoriedade pelo seu temperamento forte, tornando-se um personagem do folclore nordestino. Seu apelido veio de uma vizinha que lhe chamava de Calunga, devido a sua loja. Com os passar dos anos ficou apenas Lunga.

Biografia

Nascido em 18 de agosto de 1927 no município de Caririaçu, Joaquim dos Santos Rodrigues passou a infância com os pais e sete irmãos no município de Assaré. Voltou a Juazeiro do Norte aos 20 anos, em 1947, onde casou-se e teve 13 filhos - três homens e 10 mulheres.

Em entrevista às Páginas Azuis, do O POVO, em novembro de 2009, seu Lunga, como é conhecido desde “menino novo”, fez questão de negar a autoria das piadas grosseiras atribuídas a ele. Os cordelistas eram o principal alvo da mágoa de seu Lunga. “Eles ficam falando da minha pessoa, dizendo o que eu não sou”, lamenta.

Durante a conversa com a reportagem, seu Joaquim falou sobre sua devoção a Padre Cícero, distribuiu sorrisos e até recitou poesias. “Nenhuma dessas histórias (contadas nos cordéis) é verdade. É tudo inventado”, se queixou seu Lunga, na época.

Piadas atribuídas a seu Lunga

- Seu Lunga estava em sua casa, com sede. E manda seu sobrinho lhe trazer um pouco de leite. Daí o pobre do garoto pergunta: “No copo?“Não. Bota no chão e vem empurrando com o rodo”.

- Seu Lunga estava no mercado com uma caixa de ovos. Daí perguntaram a ele: “Comprando ovos seu Lunga?” E ele responde: “Não, jogando um por um no chão. É traque de massa”. E joga os ovos no chão.

- Seu Lunga estava passeando na calçada com o cachorrinho. E lhe perguntam: “passeando com o cachorrinho, seu Lunga?” E Seu Lunga respondeu. “Não. É meu passarinho”, pegando o pobre poodle pela coleira e o fazendo voar.

- Seu Lunga vai saindo da farmácia, quando alguém pergunta: “Tá doente, seu Lunga”? E ele responde: “Quer dizer que se eu fosse saindo do cemitério eu tava morto?”

- O funcionário do banco veio avisar: “Seu Lunga, a promissória venceu”. E ele respondeu: “Meu filho, pra mim podia ter perdido ou empatado. Não torço por nenhuma promissória”.

- Um rapaz entrou em sua loja e disse:Seu Lunga, tem pregos tamanho pequeno?”. E ele respondeu: “Tá aí no meio”, aponta para a caixa. E o rapaz procura, procura e não acha. Seu lunga resolve procurar e acha o prego tamanho pequeno. E o rapaz diz: “Obrigado”. E ele responde: Nada disso. Agora você vai ter que procurar”, e devolve o prego à caixa.

As manchetes de jornais brasileiros neste sábado

Folha:Dilma convida Joaquim Levy para o ministério da fazenda

Globo: Planalto vaza nomes, bolsa sobe, mas Dilma não confirma

Extra: Bandido de invasão a condomínio é preso em casa de pastora

- BrasilEconômicoEscolha da equipe econômica tem foco no rigor fiscal

Estadão: Dilma escolhe Levy para a Fazenda, mas adia anuncio

ZeroHora: Anúncio adiado, mas nomes de equipe vazam

Estado de MinasCom o Brasil no vermelho, Dilma quer Levy na Fazenda

CorreioBraziliense:Bancada do DF condena blindagem dos distritais

CorreiodaBahiaSeminovos com até R$ 5 mil de desconto

DiáriodoNordeste: Tiroteio e reféns em assalto aos Correios

JornaldoCommercio: Armando no ministério

JornaldaParaíba: Municípios vão receber R$ 112 mi do FPM na PB

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Duas em uma postagem: o negócio é bom!

O barquinho vai

octavio
Negócio fechado com Fernando Baiano
Fernando Baiano é um feliz proprietário de uma super lancha de 54 pés, com a qual ele singra o mar azul de Angra dos Reis. Baiano a comprou de Otavio Azevedo, presidente do conselho de administração da Andrade Gutierrez.
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Saudades de Miami

Coral Gables: o recanto do Baiano
Coral Gables: o recanto do Baiano
Além de seu apartamento na Barra da Tijuca e de uma casa de praia em Trancoso (BA), Fernando Baiano está deixando de frequentar, nestes dias em que passa uma temporada em Curitiba, sua mansão em Miami, mais precisamente em Coral Gables.
Por Lauro Jardim

A capa da Veja neste fim de semana.


Recebi duas novas fotos e algumas informações sobre o nosso inesquecível Griguilin. Resolvi postar outra vez um texto sobre ele. As novas fotos virão em breve.


Griguilin era um nosso amigo ali da Rua Epifânio Sobreira, em Cajazeiras. Conseguia ser menor que todos de nossa turma; tinha pernas meio indefinidas e uma voz grossa e 'dirmantelada', própria dos que se avizinhavam da adolescência.

Acabáramos de passar o umbral dos 10 anos de idade (ele tinha 3 ou 4 anos mais do que o resto da turma) e nossa amizade cresceu à sombra de brincadeiras comuns: as peladas com qualquer tipo de bola e piso (o calçamento era grama!), os banhos no açude grande, os jogos no Estádio Higino Pires Ferreira.

A Banda Super Som 7

Logo depois, despertamos para a música. Gostávamos da percussão. Criamos um arremedo de batucada e ensaiávamos para o carnaval (aliás, teve um carnaval que Nêgo de Diener de Tio Juarez foi nosso maestro e baliza - já que estava vestido de mulher - e quase matou de raiva o grande Rivaldo Santana, organizador do desfile de carnaval na Praça João Pessoa!).

O fato é que passamos a curtir, também, a boa música internacional. Beatles, Bee Gees, Santana, Billy Paul...Grandes artistas que moldaram e modularam o nosso gosto musical. Ainda bem!

E alguém inventou que Griguilin era cantor. Tinha uma voz grossa? Ou era locutor de rádio ou cantor!

Griguilin não só era cantor. Ele cantava música 'internacional'! Ora, e era preciso saber inglês pra isto? Claro que não!

Nós inventamos um método. Logo depois do almoço, Griguilim ia pra minha casa. Lá, nós tínhamos uma radiola (daquelas que a tampa é a própria caixa de som) e era fácil tocar o disco e parar a música com a movimentação do braço da 'bixa'. Tocava um pouquinho...parava...Aquilo que ouvia eu colocava no papel. Do jeito que ouvia!

Assim havia um jeito próprio de traduçãoplease...virava plís; that's right virava détis ráite; my love...mai lóvi; baby...beibe; y love you...ai lóvi iú. E assim por diante. E Griguilin virou cantor de bandas cajazeirenses.

No destaque, Jocélio Amaro; por trás, Camilo Pereira (sempre com cara de 'abusado')

Aliás, numa delas - acho que na Super Som 7 - Camilo Pereira (da Orquestra Mistura Fina, em João Pessoa) provocava o nosso cantor pequenez com o grito no meio da música:

"- Ei, Griguilin, tá na hora do 'détis ráite'!"

Em toda música que cantava Griguilin, invariavelmente, soltava o 'détis ráite'. Camilo brincava e Griguilin 'pegava um ar danado'!

Dizem que o meu pequeno velho amigo morreu lá pelo Paraná e que houve desequilíbrio emocional na vida amorosa.

Foi cantar inglês pra Jesus. 

Dá uma saudade grande de amigos da qualidade do nosso Griguilin.

Por Dirceu Galvão

Nosso abraço de parabéns a Leonardo Rolim, que aniversaria hoje.


O Brasil precisa reestatizar a Petrobrás. A privatização pela corrupção não deu certo...


Consequências econômicas da roubança 
VINICIUS TORRES FREIRE
Folha de São Paulo

A corrupção aparece em golfadas, que mancham o crédito do país e elevam o risco Brasil

A ROUBANÇA na Petrobras aparece agora aos borbotões, em golfadas, uma fila de dominós em queda, para recorrer a imagem original. Presidentes e diretores das maiores empreiteiras do país passam a admitir o pagamento de propinas, contando o que pelo menos por ora parece ser uma história concertada de extorsão, no mínimo.

O escândalo político mal começou, mas as consequências econômicas da bandalheira, algo mais intangível, já parecem evidentes, embora ainda seja difícil de estimar a extensão do estrago.

De resto, o tamanho do prejuízo dependerá da reação do governo, do que planeja fazer não apenas da administração das estatais mas também de outras intervenções contraproducentes no mercado.

Controles de preços, de taxas de retorno ("lucros") e alterações doidivanas de normas contribuíram para o descrédito da maior empresa do país, a Petrobras, de outras estatais e, em certa medida, dos mercados brasileiros em geral.

O custo de fazer seguro financeiro contra calotes da Petrobras já subiu muito (medido por um contrato chamado Credit Default Swap, que grosso modo também mede o risco de fazer negócios com a empresa, além de, muita vez, servir de instrumento para grossa especulação).

O preço das ações da petroleira se arrasta nos valores mínimos do ano. No entanto, não foi nem de longe a evidência da roubança que fez os papéis da empresa descerem a ladeira.

Desde 2011, o preço das ações preferenciais da Petrobras caiu mais de 54%. Os da Eletrobras, uma estatal muito mais arrebentada, baixou quase 74%.

Nesse período, o Ibovespa, o preço médio das ações mais importantes, caiu cerca de 25% (note-se que a Petrobras tem peso grande nesse índice). Neste ano, o Ibovespa sobe 1%. A Petrobras cai 27%. A Eletrobras, quase 30%.

As estatais padecem dos efeitos das intervenções do governo, que se vale das empresas como instrumento de política econômica, política ruim para a economia e para as empresas, controlando preços, obrigando-as a fazer negócios com baixa taxa de retorno etc. A roubança é a cereja podre desse bolo. Talvez a melancia podre.

O preço das ações, que muita vez pode ser apenas resultado de jogatinas temporárias, reflete o descrédito das empresas e pode contagiar o resto do mercado (o restante da Bolsa). Mas não apenas.

O que será, por exemplo, das futuras concessões de serviços públicos e obras de infraestrutura, que pelo menos pareciam estar nos planos do governo? Qual a credibilidade das concorrências, dos sócios brasileiros?

Qual será o risco percebido de entrar nesses e noutros negócios no Brasil (seja o risco, digamos, policial ou o risco regulatório, de intervenções governamentais)? Aliás, sem a receita de concessões e dadas as avarias nas estatais, o que será da receita do governo, que conta com esses dinheiros a fim de cobrir seu deficit crescente?

Para recorrer a outra imagem original, é possível fazer uma limonada desse trem de limões podres. Mas o governo vai ter de virar do avesso o entendimento que tem do papel das estatais, além de fazer uma enorme limpa policial, administrativa e financeira nas empresas.

vinit@uol.com.br

Os companheiros privatizaram a verdade

Revista Época 

A EDUCAÇÃO BRASILEIRA ESTÁ EMPESTEADA DO VÍRUS IDEOLÓGICO QUE PROSTITUI A VERDADE

Teste de história para o 3" ano do ensino médio, numa escola particular do Rio de Janeiro bem colocada no ranking acadêmico:

"O presidente eleito (FHC) governou o Brasil por dois mandatos, iniciando a consolidação da política neoliberal no país, principiada pelos presidentes Collor e Itamar Franco. Sobre os dois mandatos (1995-2002), pode-se afirmar que se caracterizam:

e) pelo limitado crescimento econômico; privatização das empresas estatais; diminuição do tamanho do Estado; e apagão energético, que levou ao racionamento e ao aumento do custo da energia.

A alternativa "e", acima, é a resposta correta, segundo o professor que aplicou o teste. As quatro alternativas erradas são recheadas de bondades sociais, naturalmente identificadas pelos isentos elaboradores do teste com os governos do PT - muito distantes das maldades neoliberais de FHC. É muito grave o que acontece no Brasil. Um arrastão que mistura má-fé e credulidade empreende uma lavagem cerebral no país.

Vamos repetir o termo, para destacá-lo da frase anterior, que ficou um pouco longa: lavagem cerebral.

O exemplo acima é um retrato triste, vergonhoso, do que se passa nas bases da civilização brasileira. A transmissão do conhecimento no Brasil está empesteada pelo vírus ideológico - aquele que sabota a cultura e prostitui a verdade. Nada, absolutamente nada, pode ser mais grave para uma civilização. A quebra da confiança no saber destrói uma sociedade. Quando os monstros nazistas e comunistas foram pegos na mentira, o flagelo social já estava consumado - com a complacência da coletividade.

O PT caminha para 16 anos no poder. Engana-se quem vê inflação e recessão como os piores produtos de uma gestão desonesta. O pior produto é o envenenamento das instituições - gradual, sorrateiro, letal. O brasileiro, esse ser dócil, acha que o julgamento do mensalão foi um filme de época. Recusa-se a perceber que aquele golpe (submeter o patrimônio público a interesses partidários) se aprofunda há 12 anos. O PT montou uma diretoria na Petrobras para a sucção bilionária do dinheiro do contribuinte. Qual é o grande escudo para mais esse assalto?

É a lavagem cerebral. O Brasil engole o assalto petista porque está embriagado dos clichês de bondade, associados aos heróis da vagabundagem. Eles são administrativamente desastrosos e contam com grande elenco de pilantras condenados, mas pelo menos não são "neoliberais de direita". É esse o truque tosco do teste escolar aqui citado.

O que é uma "política neoliberal", prezados mestres da panfletagem? Por acaso vocês se referem à abertura econômica do país, com o avanço de prosperidade dela advindo? Claro que não. Vocês citaram "neoliberal" como um palavrão, cuspido pelo filho do Brasil num desses palanques em que ele mora. Vocês não têm nem uma pontinha de vergonha de resumir os anos FHC a um "limitado crescimento econômico" - tendo sido esse o governo que deu ao Brasil uma moeda de verdade?

Não, Ok. Vocês não têm vergonha de nada. Nem de escrever que, nesse período, se deu "a privatização das empresas estatais". Como assim? Todas? Acrescentem ao menos: com exceção de empresas como Petrobras, Correios e Banco do Brasil, que permaneceram públicas para que os companheiros pudessem fazer nelas seus negócios privados. Vocês também poderiam, prezados mestres da educação brasileira, escrever que FHC privatizou a telefonia agonizante e, assim, melhorou a vida dos pobres. Não, desculpem: os pobres pertencem a vocês, e a seus patrões petistas. "Privatização das empresas estatais" - mais um palavrão ideológico, cuspido nos ouvidos de estudantes adolescentes. Prezados professores: vocês são uns covardes.

Nem merece retificação a referência ao "apagão" - que só aconteceu nas suas mentes obscuras. O que vocês devem admirar é a mentira progressista das tarifas de energia e gasolina, que finge dar ao consumidor o que rouba do contribuinte. Ou os truques da contabilidade criativa e do adestramento de dados no Ipea e no IBGE.

O país é hoje comido por dentro. Só passará no vestibular se responder a uma questão, antes de qualquer outra: Dilma sabia ou não sabia do petrolão? Tapem os ouvidos, prezados lavadores de cérebros.
Vereadora Léa Silva trabalha e articula para ser candidata a vice de Denise Oliveira nas eleições de 2016 
Adjamilton Pereira 
Jornal da Paraíba


A vereadora cajazeirense Léa Silva (DEM), atualmente ocupando a Secretaria de Promoção Social do Município, não esconde de ninguém que vai brigar com todas as forças para ser a candidata a vice-prefeita de Cajazeiras, como companheira de chapa da atual prefeita Denise Oliveira nas eleições de 2016. 

Esse projeto ela deixou claro em entrevistas que prestou, esta semana, primeiro na Rádio Alto Piranhas, na terça-feira (18) e, depois na Difusora Rádio Cajazeiras, nesta quinta-feira (20), quando reafirmou o seu desejo e colocou seu nome a disposição do bloco da situação. 

Do alto da sua experiência política, já que exerce seguidos mandatos no poder legislativo desde 1.998 (sete mandatos), a vereadora Léa Silva, que há tempos acalenta o sonho de ser candidata a prefeita de Cajazeiras, sempre recuando em nome da unidade do grupo, vislumbra que os fatos estão conspirando a seu favor na atual conjuntura política: Primeiro porque o seu partido, o DEM, tem todas as condições para exigir que o candidato a vice, no projeto de reeleição de Denise, que é do PSB, seja indicado pela legenda. 

Depois porque, dificilmente, Carlos Antonio, como filiado do partido, onde tem espaço generoso e oportunidade de ocupar o espaço que desejar a nível estadual, negaria um pedido neste sentido de Efraim Morais e do deputado Efraim Filho, ligadíssimos também a vereadora Léa Silva. 

Some-se, ainda, o fato de que Léa é a pessoa mais ligada e de maior confiança da prefeita Denise Oliveira, depois que tiveram um grau maior de aproximação, quando atuaram na FAC. 

A vereadora também é um nome que agrada ao governador Ricardo Coutinho, que também tem um débito de gratidão com o DEM e com Efraim, pela articulação exercida no último pleito. 

Na outra ponta, o atual vice-prefeito Júnior Araújo passa por um processo inverso – Na última eleição ele veio da oposição para somar com grupo de Carlos Antonio, para ser candidato a vice dele e não de Denise. 

Mesmo com a liberação de Carlos Antonio, votou em Cássio Cunha Lima, o que certamente será usado contra ele no momento da decisão; É filiado ao partido de Wilson Santiago e eleitor de Wilson Filho, que não têm força junto ao grupo da prefeita, justamente o contrário do que ocorre com Efraim pai e filho. 

Júnior Araújo teria a seu favor o deputado Jeová Campos, que foi o grande articulador na indicação do seu nome em 2012, colocado como exigência para confirmar adesão ao grupo de Carlos Antonio, acontece que o deputado não terá como vetar outros nomes, por exemplo, o de Léa, já que também contou como o apoio dela no seu projeto de retorno a assembléia legislativa. 

Mais uma vez, por fora e calado, mas sempre avalizado por quem tem poder de mando, corre o nome do empresário Marinho.

Um gerente de alto nível, na Petrobrás: vai devolver US$ 100 milhões de dólares!!!

Delatado pelo empresário Julio Camargo, Barusco se apressou em propor a devolução do dinheiro
OPERAÇÃO JUÍZO FINAL
EX-GERENTE PEDRO BARUSCO É PEÇA-CHAVE NA OPERAÇÃO LAVA JATO

O EX-GERENTE BARUSCO, QUE VAI DEVOLVER 100 MILHÕES DE DÓLARES (R$ 259 MILHÕES) ROUBADOS, É PEÇA-CHAVE DA LAVA JATO

Com Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, o ex-gerente de Serviços da companhia Pedro Barusco aparece na Operação Lava Jato, da Polícia Federal (PF), como um dos principais operadores do PT dentro da petroleira. Seu nome foi citado nas investigações pela primeira vez pelos diretores da Toyo Setal, Augusto Mendonça e Júlio Camargo, que, em regime de delação premiada, afirmaram ter pago a ele e a Duque R$ 30 milhões em propina para fechar contratos com a estatal.

Funcionário de carreira da Petrobras, divorciado e morador da Joatinga, microbairro entre São Conrado (zona sul) e Barra da Tijuca (zona oeste), área nobre da orla carioca, Barusco se antecipou à PF e, antes que integrasse a lista de presos na sétima fase da Lava Jato, batizada de Juízo Final, fechou acordo de delação premiada e aceitou devolver US$ 100 milhões aos cofres públicos. Sua defesa está sendo conduzida pela advogada Beatriz Catta Preta, a mesma que atuou para fechar a delação de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, o primeiro a denunciar um suposto esquema de corrupção na empresa.

Na Petrobras, Barusco foi responsável por contratações milionárias em diversas áreas – da exploração e produção de petróleo e gás, que aluga plataformas e sondas, até a área de refino, que, ao longo dos últimos anos, vem executando um programa de modernização de refinarias e construindo unidades pelo país para aumentar a produção interna de combustíveis. Apenas os executivos da Toyo Setal relataram ter pago a ele e a Duque propinas para realizar obras sobrefaturadas no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), na Refinaria Henrique Lage (Revap), em São Paulo, e em projetos de instalação de dutos em Macaé (RJ).

Sete Brasil

Em 2010, Barusco se aposentou da Petrobras, mas, no ano seguinte, assumiu a diretoria de Operações da Sete Brasil, a primeira empresa brasileira proprietária de sondas de exploração de águas ultraprofundas, criada especialmente para atender as necessidades da petroleira no pré-sal.

Apesar de ter a Petrobras como sócia, além do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS) da Caixa Econômica Federal (CEF) e fundos de pensão de empresas públicas (Petros, Previ e Funcef), a Sete Brasil não chega a ser estatal. A maior participação individual é do BTG Pactual, do banqueiro André Esteves. Também participam o Santander e o Bradesco, além do fundo de pensão dos empregados da Vale, o Valia. Mais recentemente, as empresas de investimento EIG Global Energy Partners, Lakeshore e Luce Venture Capital se tornaram cotistas.

Assim como João Ferraz, que deixou a gerência de Finanças da Petrobras para presidir a Sete Brasil, Barusco foi indicado para o cargo pela petroleira, à qual coube a definição das lideranças operacionais na empresa de afretamento de embarcações. Em 2013, ele deixou a companhia sob o argumento de que se submeteria a um tratamento de saúde. Exatamente no momento em que a Sete Brasil passava por processo de aporte de capital.

Hoje, Barusco é considerado peça-chave na Operação Lava Jato porque pode revelar o esquema liderado por Duque, indicação do PT para a diretoria da Petrobras. Embora em liberdade, procuradores registraram em documento a convicção de que Barusco tinha “clara participação em fatos criminosos investigados”.(AE)