domingo, 25 de setembro de 2016

A capa da Revista Época nas bancas


Que tal a pose do nosso Gercilene? Parabéns, amigo!


A foto tem dupla finalidade: lembramos da grande figura de Wilson Moreno e parabenizamos o nosso Pepé Pires em dia de aniversário.


Afundou o país e foi à praia
Guilherme Fiúza
O Globo

Progressistas de butique não se importam que as bandeiras de esquerda tenham sido usadas para roubar o país

Não há PowerPoint que consiga explicar a pedalada de Dilma Rousseff na Praia de Ipanema. Tranquila, sem contratempos, ela foi até o Leblon e voltou. Numa boa. No dia seguinte, seu ex-ministro da Fazenda foi preso.

Como a torcida do Flamengo já sabia, Guido Mantega era mais um despachante da companhia. Vejam como a senhora das pedaladas é honesta, conforme um pedação do Brasil adora acreditar: Mantega, Paulo Bernardo, Fernando Pimentel, Gleisi Hoffmann, André Vargas, Erenice Guerra, João Vaccari... Chega. Já sabemos que a cada enxadada corresponde uma minhoca. Todo o estado-maior de Dilma, e o menor também, está enrolado com a polícia. E ela está na praia.

Com a saga de Guido Mantega no governo popular — que vai sendo revelada pela mulher do marqueteiro, por Eike Batista e outros inocentes torturados pela Lava-Jato, — o farol de Curitiba começa a apontar para as catacumbas do BNDES. As negociatas de Fernando Pimentel, amigo de Dilma e governador de Minas (nesta ordem), somadas às tramas de Lula com suas empreiteiras de estimação, já indicavam que as paredes do gigantesco banco público têm muito a contar. Agora vai.

Mantega foi um dos peões de Dilma no colossal esquema da contabilidade criativa, que o Brasil só notou quando foi apelidado de pedalada, e mesmo assim não acha muita graça. É um enredo impressionante envolvendo BNDES, Tesouro, Caixa e Banco do Brasil, para esconder déficits e liberar dinheiro público para os companheiros torrarem em suas olimpíadas eleitorais. Isso aconteceu por mais de uma década, e foi um par de flagrantes desse assalto que despachou a presidenta mulher para Ipanema — o famoso golpe.

Se Lula é o sol do PowerPoint, Dilma é, no mínimo, a lua. Guido Mantega deu sequência às obras dela na presidência do Conselho de Administração da Petrobras, sob o qual foi montado e executado, nos últimos 13 anos, o maior esquema de corrupção da República — se é que há algo de republicano nesse populismo letal. A literatura obscena da Lava-Jato, e em especial a denúncia do Ministério Público contra Lula (que o Brasil não leu, porque é muito longa), mostra tudo. Lula e Dilma cultivaram os ladrões camaradas nos postos-chave para manter a dinheirama irrigando os cofres partidários.

Mas Dilma diz que não tem conta na Suíça como Eduardo Cunha. Vamos esclarecer as coisas: Eduardo Cunha é um mendigo perto do esquema bilionário que sustenta Dilma, a mulher honesta.

O que também sustenta Dilma, e todos os delinquentes do bem, é a ação corajosa dos progressistas de butique. Eles não se importam que as bandeiras de esquerda tenham sido usadas para roubar o país. O papo do golpe é uma mão na roda: Dilma, a revolucionária, foi massacrada pelos velhos corruptos do PMDB. Todos sabem que estes viraram ladrões de galinha diante da ópera petista, mas lenda é lenda. Ser contra o golpe dá direito a ser contra a ditadura militar, a violência policial, o racismo e o nazismo. É um pacote e tanto.

Também dá direito a ir à posse de Cármen Lúcia no Supremo Tribunal Federal — o mesmo STF que presidiu o impeachment de Dilma. Deu para entender? Vários heróis da resistência democrática contra o golpe foram lá, pessoalmente, festejar a nova presidente da corte golpista. Contando, ninguém acredita.

Teve até show de MPB — a mesma que ouviu da própria Cármen Lúcia o famoso “cala a boca já morreu”, contra aquele projeto obscurantista de censurar biografias. Alguém já disse que é proibido proibir. Mas debochar da plateia está liberado.

Nem é bom citar esses acrobatas da ideologia. Vários deles são artistas sensacionais, que colorem a vida nacional. Melhor esperar que desembarquem de suas canoas furadas a tempo, e parem de alimentar essa mística vagabunda — porque, atenção, comprar o barulho do governo destituído e seus genéricos não tem nada a ver com ser de esquerda. Ao contrário: além de destruir a economia popular, essa gangue fraudou as bandeiras da esquerda. Adaptando Millôr: desumanizaram o humanismo.

Foi uma dessas turminhas de humanistas desumanos que hostilizou uma jornalista de TV com seu bebê de 1 ano numa calçada da Gávea. São jovens simpatizantes de um desses candidatos bonzinhos que incentivam a porrada. Eles são contra o sistema (seja lá o que isso signifique) e contra a mídia burguesa. Assim morreu o cinegrafista Santiago Andrade. No dia 2 de outubro, os cafetões da criançada ignara vão às urnas buscar seus votos progressistas.

Os heróis da resistência ocuparam o Canecão. Ótima ideia. Melhor ainda se tivesse sido executada há quase dez anos, quando o PT fechou esse templo da música — fingindo que estava defendendo a universidade pública de empresários gananciosos. Onde estavam vocês quando aconteceu esse golpe hipócrita contra a arte?

Vamos falar a verdade, queridos cavaleiros da bondade. Antes que a praia vire passarela de quem devia estar vendo o sol nascer quadrado.

Um sambão! Noite Ilustrada e o Samba do Amigo. Para os meus queridos amigos de sempre

   

Na fase do empreendedorismo...


Chego, já, já...


Oposta Sheilla chama a atenção pela boa forma e fãs elogiam: ‘Maravilhosa’ 
Extra

Scheilla se despediu da seleção brasileira após a Rio-2016 

Depois de se despedir da seleção brasileira na Olimpíada do Rio-2016, a oposta Sheilla Castro chamou a atenção pela boa forma na internet. A bicampeã olímpica postou uma foto nas redes sociais em que diz que estava "fortinha" e agora passou a ser "magrinha". Em poucos minutos, a imagem recebeu muitos elogios dos seguidores da atleta.

"Para mim é a melhor e mais bela jogadora do Brasil", escreveu um fã.

"Só acho que essa mulher nunca vai envelhecer. Que maravilhosa!!", disse outro seguidor.

"Sheilla vou ter que dar meus parabéns, pois está muito top".

"Uma mulher maravilhosa, que se tornou lenda viva do nosso vôlei".

"Que corpo é esse?".

Aos 33 anos, a mineira, de 1,85m, é considerada uma das jogadores mais bonitas da seleção brasileira feminina de vôlei. Atualmente, ela defende o Vakifbank, da Turquia.

Quem sabe faz ao vivo. Veja o vídeo.

   
Odeio você
No século XXI, a esquerda brasileira ainda cultua a figura do caudilho latino-americano
Demétrio Magnoli
O Globo

No Citibank Hall, em São Paulo, Caetano e Gil conduziram a plateia numa versão de “Odeio você” que se completava com “Temer”. Há motivos para a indignação contra um governo recheado das velhas figuras do PMDB, assentado no chamado “Centrão” e salpicado pela gosma de preconceito dos pregadores-negociantes. Contudo, os dois músicos e seu público não apenas rejeitavam o presidente adventício como também se solidarizavam com a dissolvida ordem lulo-dilmista. O evento, um entre tantos que envolvem intelectuais e artistas, evidencia a eficácia da narrativa do “golpe parlamentar”. É mais uma volta no parafuso que prende a esquerda brasileira a lideranças e ideias regressivas. O fracasso não ensinou nada — e apagou as páginas de lições prévias.

Lula e Dilma, depois de tudo — é sério isso? Os heróis da esquerda são os compadres de Marcelo Odebrecht, os chefes dos gerentes-operadores da Petrobras, o óleo na engrenagem de um capitalismo de subsídios e sombrias negociatas. Na ordem lulo-dilmista, circulavam como aliados e associados os mesmos canalhas que rodeiam o atual governo. O que eles “odeiam” não é a presença perene dessa gente, mas a ausência de seus heróis sem nenhum caráter. O Temer que eles odeiam é a implicação necessária dos governos que eles amaram.

No campo político da esquerda, nada se aprendeu sobre uma política econômica amparada nas rendas extraordinárias do ciclo internacional da “globalização chinesa”, que nunca gerou ganhos de produtividade e se concluiu numa depressão tão profunda quanto à do colapso cafeeiro. E nada se aprendeu sobre políticas sociais referenciadas em estímulos conjunturais ao consumo e transferências diretas de renda, que se esgotaram sem reformas de fundo. Enquanto ainda cantam as glórias petistas, eles escondem de si mesmos a permanência de uma educação pública em ruínas e as carências humilhantes dos serviços públicos de saúde. Eles gostam de cotas, não de direitos universais.

O que sobra de uma esquerda cega à desolação das nossas metrópoles cindidas em guetos sociais e, portanto, estruturalmente violentas? Por que eles amam tanto o retrógrado Minha Casa Minha Vida, um programa que ergue habitações populares distantes dos centros das cidades, reiterando um padrão secular de segregação espacial? Copa, Jogos Olímpicos, Porto Maravilha: a roda da fortuna da especulação imobiliária.

Numa mesa-redonda, Guilherme Boulos, o líder do MTST, inverteu a sequência temporal dos eventos para justificar a falência econômica da Venezuela chavista pelo colapso das cotações do petróleo. A caravana do “Odeio você” avança, de olhos vendados, rumo ao passado. Eles não reconhecem que, sob Hugo Chávez, somente se aprofundou a histórica dependência venezuelana das rendas petrolíferas, nem que a “revolução bolivariana” implodiu sob o peso de seus próprios erros, degenerando num regime autoritário, repressivo e impopular. No século XXI, a esquerda brasileira ainda cultua a figura do caudilho latino-americano.

Podemos ter nosso próprio Che? Wagner Moura, cuja inteligência política é inversamente proporcional a seu talento dramático, clama por recursos públicos para um filme sobre Marighella. Ele quer cercar seu personagem com a auréola do romance, ajudando a convertê-lo em marco de memória. A luta armada, o “foco revolucionário”, ofereceu os pretextos ideais para a evolução da máquina repressiva, contribuindo involuntariamente com a sedimentação da ditadura militar. À luz da história, compreende-se o erro trágico dos militantes que se engajaram naquela aventura. Já a romantização da tragédia, tanto tempo depois, e na vigência das liberdades democráticas, deve ser classificada como o ato típico de um idiota.

Na Europa, as correntes principais da esquerda aprenderam com a experiência totalitária soviética o valor fundamental da democracia. Na América Latina, o percurso de aprendizado foi interrompido pela Revolução Cubana, com seu infindável cortejo de mitos. Cuba é o nome da caverna escura que aprisiona a esquerda brasileira. Um quarto de século atrás, o PT chegou a qualificar o regime castrista como uma ditadura indefensável. Hoje, celebra tanto o defunto “modelo socialista” cubano (isto é, o estatismo stalinista) quanto as reformas econômicas deflagradas por Raúl Castro (isto é, um sistema de mercado sem a contrapartida de direitos políticos e sindicais). Nesse pátio de folguedos do anacronismo ideológico, encontra-se com sua dissidência agrupada no PSOL.

“Odeio você, Cunha!”. A performance da esquerda apoia-se num álibi primário. Eles dizem, com razão, que Eduardo Cunha está no DNA do governo Temer. Porém, obliteram o fato de que, sem a engrenagem da corrupção partidária institucionalizada sob o lulo-dilmismo, Cunha seria apenas mais um corrupto de terceira classe. O ódio caetaneado, um produto político seletivo, opera simultaneamente nos registros da memória e do esquecimento. Cunha é Temer — mas é também Lula e Dilma.

Nos idos de junho de 1968, interpretando “É proibido proibir”, Caetano desafiou uma plateia que urrava contra as guitarras elétricas dos Mutantes, pateticamente identificadas ao “imperalismo americano”. Hipnotizados pelo romance da esquerda latino-americana, os jovens odiavam tudo que não fosse Vandré. O Caetano de hoje representa a negação do Caetano original: no Citibank Hall, ele arrependeu-se de si mesmo, curvou-se às vaias do passado, escreveu o epílogo de uma biografia autorizada.

Pablo Milanés desempenhou, ao longo de décadas, o triste papel de trovador oficioso de Fidel Castro. Caetano faz uma melancólica imitação tardia, candidatando-se a trovador de Lula e Dilma. Ninguém deveria odiá-lo por esse motivo. No fim, sua performance reflete os fracassos e as frustrações de uma esquerda enclausurada na gruta de seus mitos. O “velhote inimigo que morreu ontem” está entre nós, bem vivo.

Demétrio Magnoli é sociólogo
As gravações que comprovam a fraude de R$ 2 bi na Funcef
Documentos e áudios obtidos por ISTOÉ revelam como diretores do fundo de pensão da Caixa, pressionados por dirigentes petistas, entre eles o ex-tesoureiro João Vaccari, aprovaram investimentos prejudiciais à instituição que beneficiaram aliados e a OAS, de Léo Pinheiro, implicada no Petrolão
Aguirre Talento
IstoÉ


UM NOVO ESQUEMA Carlos Caser, diretor-presidente da Funcef, ao lado de Léo Pinheiro, da OAS, e João Vaccari (à dir), ex-tesoureiro do PT: ação entre amigos

Operação greenfield

Segundo os procuradores, o núcleo político da organização criminosa influenciava os diretores dos fundos de pensão

Aparelhados pelos partidos políticos durante a era petista, os fundos de pensão das estatais e empresas federais se tornaram alvo de uma megainvestigação da Procuradoria do Distrito Federal sobre desvios de recursos que lesaram os aposentados em R$ 8 bilhões. Trata-se da Operação Greenfield, que cumpriu, no último dia 5, um conjunto de 28 mandados de condução coercitiva, sete de prisões temporárias e 106 de buscas e apreensão. ISTOÉ obteve com exclusividade as gravações que fundamentaram a operação. Os áudios referem-se a reuniões de diretores da Funcef – órgão que administra a previdência complementar da Caixa e foi comandado por executivos indicados e ligados ao PT, acumulando um prejuízo de ao menos R$ 2 bilhões. O material explosivo revela a total negligência com os recursos dos aposentados e indica uma clara atuação de dirigentes da Funcef no sentido de honrar acertos políticos. Para a PF, há fortes indícios de que o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, atualmente preso pela Lava Jato, esteja por trás das operações fraudulentas aprovadas pela cúpula da Funcef. As suspeitas também recaem sobre o ex-ministro da Casa Civil de Dilma, Jaques Wagner. Um dos beneficiários do esquema, segundo as investigações, foi o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, ligado ao PT, a Lula e a Jaques Wagner.

Segundo o Ministério Público, os R$ 400 milhões aplicadospela Funcef na OAS viraram pó: passaram a valer R$ 117,5 mil

A postura observada nas reuniões é escandalosa: diretores dão o aval aos investimentos mesmo admitindo não terem lido todos os documentos, autorizam aportes sem saber de onde a Funcef vai tirar dinheiro e passam por cima de riscos considerados graves por executivos do órgão, como a existência de dívidas tributárias e trabalhistas de uma empresa que demandava recursos do fundo. Em comum, nos encontros de diretores da Funcef, há o fato de os presidentes do Fundo de Pensão dos servidores da Caixa, indicados pelo PT, sempre defenderem a liberação dos recursos, a despeito dos reiterados alertas feitos pelos seus diretores. São eles, em dois momentos administrativos distintos da Funcef: Guilherme Lacerda e Carlos Alberto Caser, ambos ligados ao PT. Os dois e outros cinco gestores do fundo foram presos temporariamente durante a Operação Greenfield. Depois de prestarem depoimento, deixaram a cadeia.


A PF destaca três reuniões como as mais emblemáticas para demonstrar a existência de negociações prejudiciais à Funcef, feitas única e exclusivamente para cumprir acordos políticos: a que selou aportes de R$ 400 milhões na OAS Empreendimentos, a que confirmou investimentos de R$ 1,2 bilhão em três anos na Invepar (braço da OAS na área de transportes) e a que ratificou a aplicação de R$ 17 milhões no FIP Enseada, a fim de reerguer a Gradiente. Naquele momento, o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro pressionava a cúpula petista pelo aval aos negócios de seu interesse. Nas mensagens extraídas do celular do empreiteiro, há referências à atuação de Jaques Wagner e Vaccari na Funcef. Em julho de 2013, quando o caso estava sob discussão, Léo Pinheiro escreveu para o acionista da OAS Antônio Carlos Mata Pires: “Como foi na Funcef? O nosso JW [Jaques Wagner] me perguntou”. Ao que Pires respondeu: “Ótimo. Foi aprovado para contratação do avaliador, Deloitte. Agora, precisaremos de JW [Jaques Wagner] na aprovação final”. Em outra conversa pelo celular, Léo Pinheiro diz que pela Funcef estaria tudo certo, mas adverte César Mata Pires, dono da OAS, que poderia haver problemas na aprovação do negócio pela Caixa. Segundo a mensagem, Carlos Borges, diretor da Funcef, havia ligado para Pinheiro preocupado com a questão. Quem também telefonou para agendar um encontro foi João Vaccari. Ao fim, o investimento foi aprovado. “Não esqueça de me reservar uma vaga de officeboy nesse arranjo político. Afinal com a sua influência junto ao Galego e o Lula, vc é o CARA”, atesta Carlos Borges, da Funcef, em mensagem encaminhada a Léo Pinheiro em 2014.

Sinal verde à fraude

Para a PF, a pressão que precedeu a aprovação do negócio explica o conveniente “descuido” na hora de aprovar os investimentos que deram prejuízos à Funcef. A reunião da diretoria da Funcef para sacramentar o investimento na OAS Empreendimentos ocorreu em novembro de 2013. O aporte seria feito em duas parcelas de R$ 200 milhões. Os diretores não sabiam de que fonte orçamentária sairia o segundo aporte. Mesmo assim, deram o sinal verde para a operação. Isso gerou longos embates na reunião, que durou 1 hora e 23 minutos. Nas conversas, o então diretor de Planejamento e Controladoria da Funcef, Antônio Bráulio de Carvalho, faz uma autocrítica e alerta para o risco de faltar dinheiro para honrar os compromissos: “A gente não presta muita atenção na política de investimentos e não faz as discussões nos momentos que têm que ser feitos. Se eu aprovo R$ 200 milhões aqui pro ano que vem, se chegar outro investimento também que não está previsto… se chegar outro que não tá previsto, o que vou fazer? Nós estouramos a liquidez”. Um outro participante da reunião, não identificado, faz outra ressalva: “Vai ter que vencer isso, de onde sai o dinheiro. Não dá pra investir R$ 400 milhões, ou R$ 200 milhões, e falar ‘ah não sei de onde’”. No final da reunião, o diretor-presidente Carlos Alberto Caser, indicado pelo PT, rebate as críticas e sustenta que não deveriam deixar de aprovar o negócio só porque não estava previsto na política de investimentos. Para ele, a fonte dos recursos seria resolvida posteriormente. “Depois de termos gastado um ano de discussões, contratando uma consultoria que custou R$ 500 mil, foi cara pra dedéu. Negociamos blá blá blá blá blá blá. Agora [para quê] eu vou submeter isso (…) burocraticamente à política de investimentos, tendo um retorno bom?”, afirmou Caser. Ao fim, a Funcef aprovou o negócio. Segundo o Ministério Público Federal, os milhões investidos viraram pó: valiam apenas R$ 117,5 mil em dezembro de 2015.

Depois de analisar os depoimentos, o MP agora quer acesso às delações premiadas da Lava Jato. A intenção é identificar o elo entre os esquemas

A vez dos fundos de pensão: No último dia 5, a PF apreendeu documentos em 106 escritórios

Gestão temerária

Outro investimento na OAS de R$ 1,2 bilhão, o chamado FIP Invepar, foi aprovado sem relatórios da análise jurídica e de conformidade – que avalia o cumprimento a determinadas regras. É o que revela o áudio da reunião ocorrida em 20/10/2008, com duração de 37 minutos. No encontro, o diretor de Planejamento e Controladoria, Antônio Bráulio, discorda da pressa na aprovação: “Em termos de coerência fica complicado. Como é que um diretor de conformidade e controle pode aprovar uma coisa sem ter analisado anteriormente?”. Coube mais uma vez a um diretor-presidente ligado ao PT, neste caso Guilherme Lacerda, intervir para garantir o negócio: “(…) Eu queria também fazer um apelo, é um apelo, é um esforço muito grande o investimento que a gente tá, pode dar errado (…) mas é um investimento que vinha pensado aqui muitas vezes, na perspectiva de ter uma valorização grande”.

O terceiro caso que chamou a atenção dos investigadores envolveu a aprovação do investimento de R$ 17 milhões no FIP Enseada, um fundo constituído para reerguer a antiga Gradiente, mergulhada em dívidas trabalhistas e tributárias. De novo os diretores resolveram passar por cima dos riscos que envolviam o negócio para agradar ao então presidente da empresa, Eugênio Staub, que havia declarado apoio a Lula na eleição. Logo ao apresentar o projeto, o diretor de investimentos Demósthenes Marques adverte: “A gente tá entrando em um negócio que é de nível de risco maior do que a grande maioria”. Bráulio, por sua vez, classifica de “preocupante” a possibilidade de as dívidas da empresa provocarem perdas à Funcef. A exemplo do episódio anterior, em que avalizou um negócio altamente temerário com o único objetivo de atender demandas políticas, o presidente Guilherme Lacerda banca o aporte. Atribui as advertências a “fofocas de jornal” e diz que o fato de o dono da Gradiente ter anunciado apoio ao Lula não pesaria em sua decisão. Pesou.

“Estou tranquilo em relação às posições que adotei na Funcef porque as informações que tinha à época levariam qualquer gestor a ter a mesma postura”, disse Lacerda por meio de seu advogado. Não é o que pensam os investigadores. Para eles, as negociações ocorriam “em conjunto com autoridades políticas que tinham clara ascendência sobre os diretores dos fundos de pensão”. Vaccari integraria o chamado núcleo político do esquema e, segundo a PF, “possivelmente concorreu” para que fosse aprovado o investimento na OAS “em detrimento do patrimônio da Funcef”. O próximo passo do procurador Anselmo Henrique é destrinchar ainda mais a relação desse núcleo político com os fundos de pensão. Nos últimos dias, foram analisados os depoimentos prestados no último dia 5. Agora, o MP quer acesso a delações da Lava Jato. Na última semana, empresas alvo da operação firmaram acordos com o MP para depositar valores em juízo e ficarem livres de medidas restritivas. A OAS devolveu R$ 240 milhões. Ainda é muito pouco perto do bilionário prejuízo amargado pelos aposentados da Caixa.


Ouça o áudio das gravações citadas na matéria

1. Antônio Bráulio de Carvalho, diretor de Planejamento e Controladoria

“Nós que estamos aqui pra deliberar, é uma deliberação um pouco confusa, pelo menos complicada pra gente. Como é que eu vou colocar um dinheiro, sem a área me dizer qual a expectativa de retorno disso?”

2. Mauricio Pereira, diretor de investimentos

“Também recebi o parecer de risco, não li o parecer de risco, acabei de chegar do almoço e peguei lá na minha mesa. Então seria o maior investimento que a gente aprova aqui também sem todas as peças”.

3. Interlocutor não identificado

“Claro, vai ter que vencer isso, de onde sai o dinheiro. Não dá pra investir R$ 400 milhões, ou R$ 200 milhões, e falar ‘ah não sei de onde’”

4. Antônio Bráulio de Carvalho, diretor de Planejamento e Controladoria

“A gente não presta muita atenção na política de investimentos e não faz as discussões nos momentos que têm que ser feitos. Se eu aprovo R$ 200 milhões aqui pro ano que vem, se chegar outro investimento também que não está previsto… se chegar outro que não tá previsto o que vou fazer? Nós estouramos a liquidez”

5. Carlos Alberto Caser, diretor presidente da Funcef, ligado ao PT

“Depois de termos gastado um ano de discussões, contratando uma consultoria que custou R$ 500 mil, cara pra dedéu. Negociamos blá blá blá blá blá blá. Agora eu vou ter que submeter isso ‘burocraticamente’ à política de investimentos, tendo um retorno bom?”

6. Antônio Bráulio de Carvalho, diretor de Planejamento e Controladoria

“Em termos de coerência fica complicado. Como é que um diretor de conformidade e controle pode aprovar uma coisa sem ter analisado anteriormente?”

7. Guilherme Narciso de Lacerda, diretorpresidente, ligado ao PT

“Pontue qual é o incômodo maior de irregularidade e a gente vai tentar esclarecer, entendeu? Agora, eu queria também fazer um apelo, é um apelo, é um esforço muito grande o investimento que a gente tá, pode dar errado (…) mas é um investimento que vinha pensado aqui muitas vezes, na perspectiva de ter uma valorização grande.”

8. Demósthenes Marques, diretor de Investimentos

“A gente tá entrando em um negócio que é de nível de risco maior do que a grande maioria dos negócios que a gente propõe”

9. Guilherme Narciso de Lacerda, diretor presidente, ligado ao PT

“Estamos à disposição pra vocês discutirem, chamar empresário aqui… Agora não é porque faz fofoca em jornal que eu vou deixar de olhar, entendeu? Não é porque o cara [dono da Gradiente, Eugênio Staub], apoiou Lula que eu vou fazer ou deixar de fazer”

10. Renata Marotta, diretora de Administração

“Nas conclusões no nosso parecer diz assim ‘diante do exposto, em princípio recomenda-se que os investimentos analisados devam ser reexaminados para melhor adequação jurídica’.

11. Antônio Bráulio de Carvalho, diretor de Planejamento e Controladoria

“Se me permitem, acho que na estruturação conseguiram mitigar os riscos operacionais. E o que é que acontece aqui? Ficaram os riscos jurídicos. São, vamos dizer, em grau significativo. Você tem risco trabalhista, você tem risco… Tem uma série de riscos. 

A ilustrativa capa do jornal Estado de Minas


No socialismo é tudo igual...a elite que controla o Estado é amada (na base da 'pêia'); e a população tem em comum a miséria (repartida, igualitariamente)...

Vida na capital norte-coreana mistura atos ensaiados e onipresença de clã
JOHANNA NUBLAT
ENVIADA ESPECIAL A PYONGYANG
Folha de São Paulo

Impregnados ou não da ideologia oficial, os norte-coreanos são relembrados a todo instante dos líderes e da necessidade de avançar com a chamada revolução socialista.

Todos os adultos carregam preso à roupa, quando saem de casa, um broche com as fotos de Kim Il-sung (1912-1994) e Kim Jong-il (1941-2011). Há diferentes modelos: de pai e filho ou apenas do "eterno presidente", com a bandeira como fundo, retangulares ou redondos e pequenos.

O rosto dos dois líderes está por toda a parte em Pyongyang e em outras regiões —como na área da montanha Myohyang, a cerca de 150 km da capital, também visitada pela reportagem. Está em salas de reunião, nos monumentos históricos e nos museus, nos limpos vagões do metrô da cidade.

Da janela do hotel Koryo, onde a reportagem da Folha se hospedou, chamavam a atenção uma enorme tela iluminada com a imagem de pai e filho e a turística Torre da Ideia Juche, com 170 metros de altura.

E onde não está, como no avião da companhia aérea nacional (Air Koryo), em templos budistas e em trilhas de montanhas, o nome de integrantes das dinastias é sempre mencionado.

Já o rosto do atual Kim, o ditador Jong-un, respectivamente neto e filho dos dois primeiros, é visto com frequência menor pela cidade —na TV e no jornal, sim, há repetidas menções a ele.

Segundo Roberto Colin, que foi embaixador do Brasil na Coreia do Norte entre 2012 e 2016, o atual líder repete a estratégia do pai. "Kim Jong-il nunca permitiu seu retrato em nenhum lugar, porque a fonte de legitimidade [do regime] era seu pai, Kim Il-sung. Se se confundem [as imagens], perde o efeito."

GALOPE RÁPIDO

Se não há propaganda de produtos nas ruas, a propaganda ideológica não falta. Há pôsteres conclamando a população a se esforçar mais e fazer o país avançar em ritmo mais acelerado, no galope de um cavalo rápido.

Também há letreiros por toda Pyongyang relembrando a "campanha de 200 dias", lançada pelo regime e que vai até meados de dezembro —antes, outra campanha de mobilização, encerrada em maio, teve duração de 70 dias.

"Nesses dias, devemos tentar atingir mais sucesso, extraordinário, em todos os campos", diz a professora Ri Jong Hwa. No caso dela, houve um esforço extra na produção de artigos sobre a ideologia nacional. "Escrevo de sete a dez artigos todo ano. Este ano, escrevi mais de 20. [Ou seja,] no passado eu podia, mas não tentei com todo afinco."


Outro colega, diz ela, conseguiu escrever 900 páginas no primeiro semestre, frente a cerca de 300 que costuma escrever por ano. E, "no setor têxtil, muita gente terminou a produção planejada para o ano em junho."

Para Phil Robertson, da organização de direitos humanos Human Rights Watch, as campanhas não são nada além de "trabalho forçado para o governo conseguir alcançar suas metas econômicas e sociais".

AJOELHADOS NO JARDIM

Pelas manhãs, é possível ver grupos de mulheres vestidas da mesma forma dançando e agitando bandeiras em pontos específicos da capital, como em frente à estação de trem, para apoiar a mobilização. Cartazes sobre a campanha também estão afixados em locais de trabalho, fazendo contagem regressiva para seu fim.

No domingo (18), dia que seria de descanso, as ruas de Pyongyang estavam agitadas, com operários em atividade, pessoas indo ao trabalho e crianças de uniforme e mochila nas costas —reflexo da campanha dos 200 dias. Muitos se agachavam nos canteiros impecáveis para retocar o jardim, varriam ruas ou limpavam os edifícios.

Em meio à propaganda e à mobilização, é possível identificar avanços, como a popularização dos celulares (sem acesso à internet), a construção de novos prédios e maior oferta de energia elétrica.

Apesar da propaganda constante, as pessoas tentam ter vida normal, com crianças brincando nas ruas e adolescentes conversando juntos.

Robertson ressalva que Pyongyang é uma espécie de oásis, por abrigar uma elite leal ao regime, e que a condição no resto da Coreia do Norte é bem diversa.

Ele diz que há milhares de presos políticos em campos, que falta um conjunto de liberdades (de associação, de expressão) e que o regime se baseia em medo e força.

Segundo relatório de 2014 da comissão de Direitos Humanos da ONU, a Coreia do Norte é o país onde ocorre o maior número de crimes contra a humanidade no mundo, incluindo campos de detenção, tortura sistemática, fome deliberada e perseguição a presos políticos.

COMO RELIGIÃO

Desde 2011, sob a liderança do atual ditador, Kim Jong-un, um novo foco tem sido o desenvolvimento econômico em paralelo ao avanço da capacidade nuclear.

Para o embaixador brasileiro Colin, os testes nucleares cumprem uma segunda função, além de tentar trazer as potências para uma conversa de igual para igual: servem como propaganda interna do avanço tecnológico que o regime diz ter feito.

É difícil adivinhar o quanto do discurso oficial é, de fato, abraçado pelos norte-coreanos comuns. "Essa é a pergunta de 1 milhão de dólares", afirma Colin.

Na avaliação do diplomata brasileiro, mais de 50% acreditam no discurso, inculcado desde a infância, como uma espécie de religião, mas ele não apostaria em percentuais elevados. "Acho que a maioria acredita, mas há outros que são céticos, talvez já tenham entendido que o regime não funciona, mas é melhor se calar."

"A questão principal é que eles não podem discordar, ou serão taxados de desleais ao regime e ficarão sujeitos a uma série de sanções. Ninguém mais acredita no mito coreano", avalia Robertson.

A capa do jornal Diário de Pernambuco


No Jogo/Extra: Mengão com força


Os destaques do jornal Folha de São Paulo


As manchetes de jornais brasileiros neste domingo

Folha: Controle aéreo melhora, mas falhas se mantêm

Globo:  País vai às urnas com milhares de candidaturas indeferidas

Extra: Estado dá golpe e deixa servidor com consignado cheio de dívidas

Estadão: Promessas custariam até R$ 29,6 bilhões à Prefeitura

ValorEconômico: Moro determina que Planalto analise bens apreendidos de Lula

ZeroHora: EUA: suspeito de matr 5 pessoas em shopping é preso

EstadodeMinas: Mortos de sede

CorreioBraziliense: Sem dinheiro escola técnica está sob ameaça

- CorreiodaBahia: Centro de entulhos

- JornaldoCommercio: No Recife, cenário no momento é de 2º turno

OPovo: Datafolha: RC tem 34%; Wagner, 28% e Luizianne, 15%

CorreiodaParaíba: Violência tira R$ 2,7 bi da Paraíba

sábado, 24 de setembro de 2016

A capa da Revista IstoÉ nas bancas


É para libertar o povo venezuelano, companheiro!


Que futuro?
O Antagonista

Circulam desde ontem na imprensa imagens de recém-nascidos em caixas de papelão num hospital da cidade de Barcelona, no Estado de Anzoátegui, na Venezuela.

O que os petistas apoiadores do bolivarianismo têm a dizer?

Se procurar, vão encontrar a botija...

Eike Batista sugeriu à Lava-Jato devassa em negócios do BNDES
‘Essa é uma área crítica’, disse ele no mesmo depoimento em que denunciou Mantega
JOSÉ CASADO
O Globo

O Arquivo X de Eike Batista é um curioso baú de histórias que oscilam entre o fulgor e a indolência do capitalismo de laços consolidado na era Lula-Dilma. Quando entrou no gabinete do ministro da Fazenda, Guido Mantega, na quinta-feira 1º de novembro de 2012, Eike era um homem de negócios com ativos de US$ 12,7 bilhões, na avaliação da época feita pela agência Bloomberg. Às vésperas de completar 56 anos, perdera a liderança nas listagens sobre os mais ricos do Brasil, e suas empresas submergiam em perdas, mas insistia em manter estrutura de serviços de mordomias ao custo de US$ 7 milhões ao mês debitados no caixa da holding.

O ministro pediu-lhe o equivalente a US$ 2,5 milhões para cobrir despesas de campanha do Partido dos Trabalhadores, contou ao Ministério Público Federal, em maio passado, num depoimento que seguiu o roteiro de uma colaboração espontânea — ele foi aos procuradores e pediu para falar: “O ministro de Estado me pediu, que que você faz? Eu tenho 40 bilhões investidos no país, como é que você faz?”. Aceitou.

Seu advogado tentou socorrer-lhe, esclarecendo que no mundo X aquele dinheiro “não era um valor significativo”. Foi uma fugaz lembrança da época em que Eike Batista mantinha 100 garrafas de champanhe no escritório. O empresário interrompeu: “Hoje, para mim, é muito dinheiro”.

Ele se esmerava em gestos de retribuição ao governo. Dois anos antes, na terça-feira 17 de agosto de 2010, foi a São Paulo participar de um leilão beneficente promovido pelo cabeleireiro da então primeira-dama, Marisa Letícia. Arrematou a cena noturna ao pagar US$ 250 mil (R$ 500 mil, na época) por um terno usado de Lula. E se comprometeu a dobrar o valor da coleta filantrópica.

Quarenta e oito horas depois, estava no Palácio do Planalto, conversando com Lula sobre uma reserva maranhense “de 10 a 15 trilhões de pés cúbicos” de gás natural, equivalentes a “quase a metade das reservas confirmadas de gás da Bolívia”. Eufóricos, assessores do governo e teóricos do PT exaltavam Eike como “figura emblemática” de uma “camada de empresários dispostos a seguir as orientações do governo”. Dilma Rousseff, àquela altura, contava 11 pontos de vantagem sobre adversários nas pesquisas, e porta-vozes de Lula escreviam: “É talhada, por sua biografia, para levar adiante um projeto nacional pluriclassista.”

Em 2012, no gabinete do ministro da Fazenda, o dono do mundo X tentava dissimular o óbvio: o abalo sistêmico em seu universo de negócios. Planejara perfurar três de dezenas de poços de petróleo, decidira aumentar em 67% e ainda queria dobrar a atividade de perfuração.

Os resultados eram modestos e o investimento elevado (US$ 700 milhões). Eike precisava do governo Dilma tanto quanto o PT precisava dele para pagar contas atrasadas com o publicitário João Santana, que trabalhara nas campanhas de Dilma em 2010 e do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, eleito na semana anterior à reunião com Mantega.

O problema do empresário eram as porteiras fechadas da Petrobras, que lhe recusava novos negócios, e do BNDES, que julgava ter ultrapassado o limite prudencial de empréstimos ao grupo X. Havia um agravante: o governo também já havia atravessado a fronteira da prudência, com repasses do Tesouro ao banco público, correspondentes a mais da metade do crédito dado pelo BNDES ao grupo de empresas eleitas como “campeãs nacionais”. Esses socorros do governo ao banco estatal inflaram o endividamento público. Eram as “pedaladas”.

Para Eike Batista faltaram tempo, meios e aliados, apesar das múltiplas doações de dinheiro (houve ano em que chegou a distribuir US$ 7 milhões em benemerências políticas). Punido “pelo mercado”, como costuma repetir, nunca deixa de lembrar suas diferenças com os competidores que julga terem sido mais privilegiados pelo poder.


Na mesa do Ministério Público Federal, em Curitiba, Eike deixou algo além do seu testemunho espontâneo sobre um ministro da Fazenda coletando dinheiro para o partido do governo. Sugeriu que fosse feita uma extensão das investigações sobre os negócios do BNDES na era Lula-Dilma: “Eu entreguei todo o meu patrimônio como garantia”, disse, “olhem para os outros que não deram seus avais pessoais, que aí está a grande sacanagem”.

Como se abrisse uma fresta no seu Arquivo X, arrematou em tom de apelo aos procuradores: “Vocês que estão passando o Brasil a limpo, por favor, essa é uma área crítica. Porque é fácil né. Você bota o que quiser (como garantia ao crédito do BNDES). Uma fazenda que não vale nada, o cara avalia por um trilhão de dólares. É fácil, né.”

Bóra, Temer! Arruma logo essa bagaça!

Ufa! 
Coluna Painel - Folha

A equipe de Temer se assustou quando, em uma das vezes em que o presidente caminhou em Nova York, um motorista abriu a janela e mirou o peemedebista. “Arruma logo o país para eu poder voltar para lá”, disse o brasileiro, para alívio dos assessores.

Eis um candidato a 'herói do povo brasileiro': frio, calculista, ensaboado. Só falta a cadeia...

Numa manobra silenciosa, o presidente do Senado articulou com a Câmara para perdoar a prática do caixa dois – e atrapalhar o combate à corrupção no Brasil
ANA CLARA COSTA
Época

Um dos mais generosos doadores de campanhas políticas na era pré-Lava Jato fazia troça de seus memoráveis encontros com o presidente do Senado, Renan Calheiros, na tarde da segunda-feira (19). “Renan é um caos. Custo a acreditar que ele seja esse articulador frio e calculista que dizem”, afirmou o empresário, ex-habitué do gabinete do senador e de reuniões menos formais, como almoços e jantares. O industrial diz que as conversas com Renan eram sempre leves e não davam brecha ao falatório político. “Quando ele me ligava para convidar para um encontro no gabinete, me sentia importante. Mas, ao chegar, havia outros 30 convidados na mesma situação: ao redor daquela mesa de café da manhã abarrotada de gente, com pedaços de pão por todo lado.” Como é de costume entre os políticos, nas entrelinhas Renan sinalizava que o ajudaria em seus interesses. Na prática, entretanto, pouco fazia para beneficiá-lo diretamente. A conta da “amizade” chegava ao industrial na sequência. Intermediadores do senador apareciam para recolher as doações de campanha que o empresário se esquiva de dizer se eram “caixa dois”.

Na mesma tarde da segunda-feira em que era lembrado como “caótico” pelo empresário, Renan costurava mais uma de suas artimanhas no Congresso. Com o consentimento de lideranças partidárias e de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, Renan articulou um penduricalho ao projeto legislativo das 10 Medidas contra a Corrupção. Já em plenário, os deputados enxertaram, num texto que é mantido em sigilo até agora, uma emenda que viabilizava o perdão da prática de caixa dois. Valeram-se do princípio de que a lei não retroage para prejudicar o réu. A proposta foi concebida por lideranças do PSDB e do PP, com parlamentares enrolados na Lava Jato, e colocada em prática com a anuência de líderes políticos. Na Câmara, a medida teve o aval de Rodrigo Maia, que na ocasião estava como presidente em exercício em decorrência da viagem de Michel Temer a Nova York. No Palácio do Planalto, do secretário de Governo, Geddel Vieira Lima – mais tarde, ele chegou a afirmar que caixa dois não é crime em entrevista ao jornal O Globo. Se fosse aprovada, a medida inibiria a Lava Jato de tratar o recebimento de dinheiro fora da contabilidade eleitoral como corrupção. Segundo as investigações da operação, muitos políticos e partidos usaram do artifício para receber propina.

Embora não tenha sido o mentor original, Renan teve participação substancial na estratégia. Ao ouvir de lideranças que a Câmara não apresentaria o enxerto sem a intenção do Senado em votá-lo imediatamente, Renan se comprometeu a ajudar. Sinalizou que cancelaria uma sessão no Senado, marcada para a mesma segunda-feira, para não paralisar os trabalhos em discussão na Câmara. Fez mais. Indicou que colocaria a anistia em votação no Senado já no dia seguinte. Se transcorresse como o previsto pelos deputados, a jogada passaria despercebida pelo crivo da opinião pública até chegar ao Senado. Com o acordo já costurado, a emenda poderia ser rapidamente aprovada.


OUTROS TEMPOS: Renan Calheiros recebe o procurador-geral, Rodrigo Janot, em seu gabinete no Senado em agosto de 2015. Renan responde a oito inquéritos na Lava Jato

A sessão na Câmara já adentrava a primeira hora da terça-feira, mas alguns deputados permaneciam atentos. Foi a vigilância de parlamentares da Rede e do PSOL que desnudou a estratégia. Ao surgirem as primeiras dúvidas dos críticos, o jogo do empurra começou. Beto Mansur, primeiro secretário da mesa, disse estar apenas cumprindo sua função na ausência de Rodrigo Maia. Foi Beto Mansur quem abriu a sessão e pautou a proposta de anistia. O presidente da Câmara, que despachava do Planalto, disse não ter sido informado de nada, a despeito de ter passado o dia recebendo deputados simpáticos à mudança. Renan negou que tivesse trabalhado para viabilizar a aprovação. “Não foi culpa minha. A sessão no Senado só não foi aberta porque a Câmara quis dar continuidade aos seus trabalhos”, explicou no dia seguinte. Parecia ter se esquecido das incontáveis vezes em que, havendo quórum, a sessão no Senado começou atropelando os trabalhos na Câmara.

As razões que levaram Renan Calheiros e as principais lideranças do Congresso a trabalhar pela anistia são cristalinas. Desde que a Lava Jato começou a fazer suas primeiras vítimas, os políticos que sempre se valeram das contribuições ilegais para fortalecer suas bases dizem, em conversas informais, que é preciso “começar do zero”. Tal recomeço significa despachar para o esquecimento as cifras estapafúrdias que abasteceram os partidos políticos nas últimas décadas. As ilicitudes vão além da doação ilegal. Envolvem lavagem de dinheiro, remessas não declaradas ao exterior e pagamentos ilegais, como o delatado por Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana, que embasou o pedido de prisão do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, na quinta-feira.

A situação de Renan é especialmente emblemática. Ele respondia a nove inquéritos na Lava Jato. Como um deles foi arquivado em julho a pedido do procurador-geral, Rodrigo Janot, restaram oito. Renan é investigado por formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Até hoje, nenhuma denúncia contra ele foi oferecida. Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, disse em sua delação premiada ter repassado R$ 32 milhões ao senador em pagamentos mensais de R$ 300 mil – o bom e velho caixa dois. Ele afirma que Renan “precisava manter sua estrutura e suas bases políticas” e, por isso, teria pedido sua “colaboração”. Os pagamentos, segundo o delator, eram pedidos aos fornecedores da Transpetro. “Os dois acertaram que o depoente procuraria repassar esses recursos ilícitos para Renan; que se reunia mensalmente ou bimestralmente com Renan para tratar dos recebimentos de propina; que administrava a arrecadação de propinas na forma de um fundo virtual, apurando mensalmente os créditos com as empresas que tinham contrato com a Transpetro e decidindo os repasses conforme as circunstâncias”, diz a delação, que ainda não se converteu em novo inquérito contra Renan.

Ao ter acesso às acusações de Sérgio Machado, Renan atacou o ex-amigo ao chamar sua história de “criminosa”. Embora Machado tenha voltado a falar com a Procuradoria-Geral da República depois de apresentar sua proposta de delação, as provas materiais sobre o que foi dito contra Renan ainda não vieram a público. A Transpetro era o feudo de Renan dentro da Petrobras. Seu loteamento foi combinado com o ex-presidente Lula tão logo ele assumiu a Presidência da República, em 2003. Foi entregue ao senador “de porteira fechada” – jargão usado por parlamentares ao se referirem a órgãos loteados a uma só liderança política. Renan indicou Machado, seu aliado no Senado, para comandar a estatal. Hoje, o presidente do Senado nega a paternidade da Transpetro e diz não ter recebido qualquer valor repassado por meio dos contratos da estatal. Recorre ao recurso de sempre – o mesmo que usou para se eximir da articulação em favor da anistia ao caixa dois.

Os destaques do jornal O Estado de São Paulo


No jornal Lance: o Vascão quer a ponta da tabela


A primeira página do jornal Diário do Nordeste


Na capa do Jornal do Commercio


As manchetes de jornais brasileiros neste sábado

Folha: Reforma tributária exige mais 10 anos de trabalho

Globo:  STF autoriza apuração inicial sobre Temer

Extra: Número de roubos cresce com reforço de policiais

Estadão: Auditoria do TCU propõe bloqueio de bens de Dilma

ValorEconômico: TSE identifica doações eleitorais feitas por beneficiários do Bolsa Família

ZeroHora: Por R$ 3,5 bi Vonpar vende operação da coca-cola no RS

EstadodeMinas: Eleições: Minas lidera indícios de irregularidades

CorreioBraziliense: Supremo fatia caso em que delator cita Temer

- ATarde: Parte do Centro de Convenções desaba ferindo três militares

- JornaldoCommercio: Mudança para os alunos só depois do ano que vem

OPovo: PMs negam participação e cobram punição de culpados

CorreiodaParaíba: Semob abre guerra ao Ubert

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Lavoizier era uma apaixonado pelo samba, especialmente dos mais antigos, como Originais do Samba e a música Esperanças Perdidas. Enche o copo, Bebelo!

   

Adeus, meu amigo Lavô. Vai com Deus!


No meio da tarde de ontem, 22 de setembro, faleceu o meu amigo-irmão Lavoizier Freire Rolim, após um infarto e complicações subsequentes.

Lavô era um amigo de muitas lembranças comuns; daqueles que dividem conosco a chave do baú da memória. De meninos a homens feitos, estivemos na boa trincheira da amizade fraterna. De Cajazeiras a Brasília nem mesmo a distância física nos impediu de cultivar o jeito antigo de preservar os melhores momentos de nossas vidas, que se expressavam em muitas histórias e risadas intermináveis.

Ele vai para outra dimensão, no horizonte da eternidade com Jesus; nós ficamos aqui alimentando com saudade a sua partida precoce.

Adeus, negão.

As manchetes de jornais brasileiros nesta sexta-feira

Folha: Doria sobe 9 pontos e assume a liderança com Marta e Russomano

Globo:  Plano do Ensino Médio prevê 7 horas de aula/dia

Extra: Estudantes terão 7 horas de aula por dia

Estadão: Moro prende Mantega por corrupção e solta 5 horas depois

ValorEconômico: Eike confirma que Mantega pediu R$ 5 milhões para o PT

ZeroHora: Novo Ensino Médio poderá ser implantado pelos Estados a partir de 2017

EstadodeMinas: Mudanças profundas no Ensino Médio

CorreioBraziliense: Arquivo X: Moro chega a Mantega

- CorreiodaBahia: Lava Jato mira agora em Guido Mantega

- JornaldoCommercio: Mais tempo em sala de aula e menos disciplinas

OPovo: Ensino Médio passará pela maior mudança em 20 anos

CorreiodaParaíba: Ensino médio vai centrar em 5 áreas

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Sobre o velório do nosso amigo Lavoizier Rolim, em Brasília

Lavozier e filhos, Junior, Emanuelle e Ana Paula
Recebi as seguintes informações sobre a cerimônia fúnebre do nosso Lavoizier Rolim.

Amanhã, dia 23, a partir das 13 horas, o velório ocorrerá na Capela 1 do Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, na 916 Sul. O enterro ocorrerá às 15 horas.

Para Lavoizier, agora, no Céu. Adeus, irmão. Escute essa música. Choremos baixinho...

Eu, Dirceu Galvão, e o meu inesquecível amigo, Lavoizier Freire Rolim
 

Adeus, meu amigo Lavoizier Rolim.


Cumpro o doloroso dever de noticiar o falecimento do nosso amigo-irmão, Lavoizier Freire Rolim, ocorrido há poucos minutos em Brasília-DF

Aos seus familiares, nas pessoas da esposa Mairly Duarte D Souza​ e do irmão Lamarck Rolim, e dos filhos, Lavoizier Júnior, Emanuelle Rolim e Ana Paula, expressamos os mais sentidos pêsames e solidariedade. Espero, em Deus, que Lavô tenha um bom lugar ao lado do Senhor.

Vá em paz, irmão. Você bem cumpriu o seu papel neste lado da vida. Em nome de todos os seus amigos, posso dizer que você foi um grande homem de bem e deixará em todos nós uma profunda saudade. Fica com Deus, Negão.

Esse juiz Sérgio Moro é uma artista. 'Ô homi bom de coração!'

URGENTE: MORO SOLTA MANTEGA
O Antagonista

Sérgio Moro acaba de expedir o alvará de soltura do ex-ministro Guido Mantega. Em seu despacho, o juiz alegou que a Lava Jato não sabia que Mantega acompanhava a esposa em cirurgia.

"Sem embargo da gravidade dos fatos em apuração, noticiado que a prisão temporária foi efetivada na data de hoje quando o ex-Ministro acompanhava o cônjuge acometido de doença grave em cirurgia. Tal fato era desconhecido da autoridade policial, MPF e deste Juízo.

Considerando os fatos de que as buscas nos endereços dos investigados já se iniciaram e que o ex-Ministro acompanhava o cônjuge no hospital e, se liberado, deve assim continuar, reputo, no momento, esvaziados os riscos de interferência da colheita das provas nesse momento."